A casa de Jorge Zanatta. E da cultura

14 de Dezembro, 2018

"Ele dizia que não era culto o suficiente para receber uma homenagem tão grande". A lembrança de Rosane Zanatta Perucchi, filha de Jorge Zanatta, rememoram 1996. É daquela época a conclusão das reformas que deram origem ao Centro Cultural, no antigo casarão da Pedro Benedet.

À época, o empresário, falecido em 2007, cobriu os gastos da obra Por esta e outras boas ações ao povo criciumense, foi escolhido para receber a homenagem. A decisão de dar o nome de Jorge Zanatta ao Centro Cultural acabou pegando a familia de surpresa.

"Foi nessa sala ao nosso lado que vieram nos trazer a notícia", conta a viúva de Jorge, Adelinda Bergmamn Zanatta, enquanto aponta para o cômodo, em sua espaçosa casa no Balneário Rincão. Hoje com 94 anos, ela guarda a ocasião com riqueza de detalhes na memória "Era verão, calor no dia, a reação dele foi de espanto, e a nossa também".

Como veio a homenagem

A filha narra o desenrolar da história:

"Ele ficou muito feliz, mas acabou nem entendendo muito bem o porquê de ter sido o homenageado". Entretanto, acrescenta que o papel do empresário para a cidade pesou. E muito. "Acreditamos que a escolha tem relação também com a geração de empregos que trouxe a Criciúma, entre outras ações", acredita a filha. O motivo da crença parte das próprias palavras do empresário. "Ele dizia que estudou pouco, parou cedo, então essa foi a forma de ele oferecer acesso facilitado à cultura para a população, algo que ele dizia não ter tido oportunidade", relata Rosane. Antes de o prédio ser reformado, Criciúma não oferecia aulas de violão, violino e outros instaunentos, além de aulas de arte. "Passou a ter ali, como ele apontou", completa.

Elas acompanharam com especial atenção as reformas recentes. Desde 2015 fechado, o Centro Cultural Jorge Zanatta volta hoje à rotina dos criciumenses como a casa das expressões locais e regionais. O ato inaugural começa às 20h. Um momento de real emoção. "Com certeza", concorda a viúva.

Fonte: A Tribuna